Então eu me vi ali, novamente deitada em seu peito. Um sono leve, mas restaurador, sono em que eu só pedia pro Sol demorar pra chegar, praquele momento durar mais. Porém ao abrir os olhos, deparei-me com o habitual feixe de luz vindo de uma fresta na janela.  Então eu olho pra você, e como todas as vezes você acorda e me pergunta: que foi? E eu simplesmente respondo: Nada. E você volta a dormir, e eu fico lá contemplando a luz que vem de fora, que me lembra que existe um mundo, uma vida que me espera, que o tempo infelizmente não parou e que aquele momento está chegando ao fim. 
Engraçado como alguns momentos permanecem em nossas mentes. De tudo que vivemos juntos no passado e até no presente, o que fica mais forte na minha memória é este exato momento em que eu acordo e estou nos seus braços, vendo o sol chegar, sem ouvir minhas preces. É o sentimento que fica dentro de mim nessa hora, a tristeza de ter que ir embora, a vontade de ficar, a saudade que me dá toda vez que eu te vejo, te beijo, te desejo, o prazer da sua companhia, o sentimento mais maravilhoso de estar deitada em seu peito em silêncio. Mas aí vem a falta de noção, o não saber como agir diante de você que já não é mais meu, ou talvez nunca tenha sido. É como se esses nossos encontros fossem um escape da realidade, nós voltando a pertencer um ao outro. E embora eu não queira um motivo pra ter raiva do sol por ele chegar na hora errada, eu ainda acho que vale a pena.


uma dose de paz a cada minuto de luz eu vi, assim até minha memória fica ruim, nem me lembro do porque do fim... ♪